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Resumo da semana no mercado financeiro – 23 a 27/mar/2020

B3: A bolsa de valores do Brasil não teve circuit break nesta semana, o que é uma boa notícia. Contudo, a volatilidade foi intensa, mas com predomínio de viés altista, recuperando parte das perdas acumuladas no mês. Na sexta-feira, o Ibovespa fechou o pregão aos 73.428,78 pontos, registrando queda de 5,51% no dia. Na semana, o Ibovespa teve alta de 9,48%, mas o acumulado do mês é de -29,51%. No ano, o índice cai 36,51%. A semana teve destaques positivos principalmente com as companhias aéreas, que foram as que mais sofreram com o impacto da pandemia do Covid19. A Gol (GOLL4) subiu 72,94%, enquanto a Azul (AZUL4) subiu 41,30%. Outras ações que tiveram bom desempenho na semana foram: Banco Inter (BIDI4), com alta de 33,29%, Magazine Luiza (MGLU3), com alta de 27,24%, Suzano Papel e Celulose (SUZB3), com alta de 20,01%, entre outras. Entre os grandes bancos, o melhor desempenho foi do Banco do Brasil (BBAS3), com alta de 14,80%. Na contramão, algumas ações tiveram desempenho negativo na semana, supostamente companhias que se beneficiariam economicamente com a pandemia. São elas a Raia Drogasil (RADL3), queda da 4,63%, Laboratórios Fleury (FLRY3), queda de 8,00%, e Pão de Açúcar (PCAR3), queda de 4,77%. Para a próxima semana, esperamos que o susto da pandemia seja mais mitigado e não haja novos acionamentos do circuit break. Ao que parece o mercado encontrou um fundo e espera-se que não tenha mais fortes oscilações negativas.

Dólar: a moeda norte americana fechou a sexta-feira cotada a R$5,1066 na venda, com alta de 1,86% na semana. Dessa forma, o viés de alta do dólar permanece firme, mas as oscilações perderam força e talvez haja mais estabilidade na próxima semana.

Inflação: O IBGE divulgou o IPCA-15, que é uma medida de inflação que segue a mesma metodologia do IPCA, mas muda o período de coleta dos preços, que foram coletados no período de 12 de fevereiro a 16 de março de 2020 (referência) e comparados com aqueles vigentes de 15 de janeiro a 11 de fevereiro (base). O índice registrou alta de 0,02% no período, o menor resultado para o mês de março desde o início do Plano Real (1994), e ficou 0,20 ponto percentual abaixo da taxa de fevereiro (0,22%). Em 2019, a taxa para março havia sido de 0,54%. O índice acumula no ano alta de 0,95% e, nos últimos 12 meses, de 3,67%. Dos nove grupos de produtos e serviços pesquisados, quatro tiveram deflação em março. Já o IPCA-E, que é o IPCA-15 acumulado trimestralmente, ficou em 0,95%, abaixo da taxa de 1,18% registrada em março de 2019. Como vemos, o viés é de baixa na inflação, e como o IPCA-15 é uma prévia para o IPCA, podemos inferir que é provável que o índice do mês de março fechado já venha negativo, como já adiantei no último boletim semanal.

Combustível: Os preços dos combustíveis recuaram nos postos nesta semana, em meio a mais baixas do preço do petróleo no mercado mundial. A gasolina acumula queda de 2,89% em março, enquanto a redução média do diesel é de 4,6%. O petróleo tipo Brent caiu 8% na semana e a Petrobras anunciou dois novos reajustes para baixo no preço dos combustíveis. Adicionalmente, o preço do etanol caiu em média 2,7% na semana, também contribuindo para a queda nos índices de inflação.

Via Varejo: A companhia disponibilizou o balanço do 4T19, que fecha o ano contábil. Segundo o relatório divulgado pela B3, a Via Varejo teve prejuízo de R$1,433 bilhões no ano de 2019, contra prejuízo de R$291 milhões em 2018. A receita caiu 4,7% em 2019, quando comparada com o ano anterior. O patrimônio líquido da empresa foi de R$578 milhões em 2019, contra R$1,999 bilhões no ano anterior. Com isso, verifica-se o forte impacto que teve o ajuste de contas por causa da fraude contábil registrada no 4T19, fazendo o patrimônio líquido da empresa despencar e aumentando drasticamente o prejuízo contábil no ano. Alguns analistas preferem destacar aspectos positivos do resultado operacional, mas como se vê, a receita caiu na comparação ano contra ano. A volatilidade dos preços das ações da Via Varejo está sendo bastante intensa neste período de crise, revelando o alto risco de investimento em seus papéis.

Gráficos da semana:

Cotação da ação da Via Varejo (VVAR3) (fonte: B3); pedidos de seguro desemprego nos EUA (fonte: Credit Suisse); IPCA-15 (fonte: dados de IBGE).

decor

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