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Resumo da semana no mercado financeiro – 16 a 20/mar/2020

B3: A bolsa brasileira teve mais uma semana de queda acentuada, com o mecanismo de circuit break sendo acionado por duas vezes. Na sexta-feira, o Ibovespa fechou a semana aos 67.069,36 pontos, registrando baixa de 18,88% na semana e 35,62% de queda no mês. Algumas ações que tiveram queda expressiva na semana foram a Via Varejo (VVAR3), com queda de 48,34%, a Azul (AZUL3), com queda de 43,05% e a Movida (MOVI3), com queda de 40,12%. Entre as principais ações que compõem o Ibovespa, a Petrobras (PETR4) caiu 20,63% na semana, a Vale (VALE3) caiu 16,77%, o Itaú (ITUB4) caiu 15,58%, Bradesco (BBDC4) caiu 23,04% e Banco do Brasil (BBAS3) caiu 31,23%. Um resultado positivo na semana, que não chega a surpreender, foi obtido pela Raia Drogasil (RADL3), que subiu 8,35% no período. Ainda não há sinal de estabilização, embora na quinta-feira e na sexta-feira o mercado tenha reagido um pouco.

Dólar: A moeda norte-americana fechou a semana cotada a R$5,0274 na venda, alta de 4,46% na semana e de 12,19% no mês. Durante a semana o dólar atingiu novo recorde nominal no dia 18, quando fechou cotado a R$5,1976.

Juros: No dia 18 de março, em sua 229ª reunião, o Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu reduzir a taxa Selic para 3,75% a.a. No comunicado, o Copom informa: “Considerando o cenário básico, o balanço de riscos e o amplo conjunto de informações disponíveis, o Copom decidiu, por unanimidade, reduzir a taxa básica de juros em 0,5 ponto percentual, para 3,75% a.a. O Comitê entende que essa decisão reflete seu cenário básico e um balanço de riscos de variância maior do que a usual para a inflação prospectiva e é compatível com a convergência da inflação para a meta no horizonte relevante, que inclui o ano-calendário 2020 e, principalmente, de 2021. O Copom reitera que a conjuntura econômica prescreve política monetária estimulativa, ou seja, com taxas de juros abaixo da taxa estrutural”.

Tesouro Direto: Mesmo com a queda da Selic, a remuneração dos títulos do tesouro direto tem aumentado. Por exemplo, o título denominado Tesouro IPCA+ com vencimento em 2035 pagava, em 17 de fevereiro, IPCA + 3,19% ao ano. Esse mesmo título, na sexta-feira, era disponibilizado a IPCA + 4,64%. A modalidade que sofreu maior aumento foi o Tesouro Prefixado. Na opção com vencimento em 2023, os juros são de 6,90% ao ano contra 4,79% ao ano em 04 de março; com vcto em 2026, 8,48% (essa taxa era de 6,06% em 04/03/2020); e com vcto em 2031, 9,40% ao ano, contra 6,68% ao ano em 03/03/2020. Esse aumento da remuneração dos investimentos faz com que o juro real também aumente, ou seja, mesmo com queda da inflação e queda da Selic, o rendimento dos títulos do governo aumentou, o que tende a elevar a dívida pública.

PIB: A desaceleração da atividade econômica provocada pela reação dos governos ao aumento da disseminação do novo coronavírus no país certamente trará impactos no PIB do Brasil. Na quinta-feira o presidente Jair Bolsonaro disse em sua live que o PIB do Brasil ficará estagnado este ano. Contudo, o banco Goldman Sachs reviu sua previsão de aumento do PIB do Brasil em 2020 de expansão de 1,5% para retração de 0,9%. O Credit Suisse reduziu sua previsão de expansão de 1,4% no ano para zero. O JPMorgan previa um crescimento de 1,6% do PIB ao final do ano e agora prevê um declínio de 1%, com uma “profunda recessão” no primeiro semestre. Esse mesmo banco prevê um recuo de 1,5% no PIB norte-americano.

Deflação: A queda da atividade econômica e a baixa dos preços dos combustíveis terão reflexos na inflação já no mês de março. Com isso, é possível haver deflação nos próximos meses no Brasil. Isso não acontece só no nosso país, mas na maioria dos países afetados pela pandemia do Covid19. Pundit, analista do Seeking Alfa (https://seekingalpha.com/article/4332991-recession-deflation-real-panic) mostra que a expectativa de deflação nos EUA já é uma realidade. “We are very close to the deflationary expectations that existed at the height of the 2008 panic. We are living in extreme times”. Por sua vez, o banco Credit Suisse também mostra que a crise já provoca deflação na Suíça. “Swiss inflation has dipped below zero and may weaken more due to the Coronavirus. That’s positive in the short term for consumers. But over the long run, central banks want it to be higher”. Queda no PIB associada à deflação é péssimo para a economia de qualquer país!

Gráficos da semana: Taxa de remuneração do título Tesouro Prefixado com juros semestrais 2031; Taxa de remuneração do Tesouro IPCA+ 2035; Inflação na Suiça (fonte: Credit Suisse); Expectativa de inflação nos EUA (https://seekingalpha.com/article/4332991-recession-deflation-real-panic).

Tesouro Prefixado 2031
Tesouro IPCA+ 2035
Expectativa de inflação nos EUA
decor

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